quinta-feira, 16 de julho de 2009

Belas Verdades


Relógio o desperta. Nove horas carros passam a eletricidade urbana desencadeia vida. Mal humor do homem grisalho. Impaciência do contador de custos. Um avião cai, pessoas morrem. Corpos alagados de tanta água salgada. Ume menina de cinco anos sobrevive, milagre? Ou maldição de estar em meio aos corpos podres dos próprios pais?

O relógio o desperta, nove horas e a sensação de peso grita entre seu espírito. O IPI está baixo, o povo cego e os carros avantajados. Analfabetos na fila do pão. Deus está morto pelos livros científicos. O macaco é adão, e o éden é uma casa de mulheres banguelas que aceitam vale transporte em troca de um bom sexo. Camisinhas estouram, garotas jovens engravidam por rasgarem demais.

O relógio o desperta... Nove horas! A menininha de cabelos cacheados se faz de esperta. A TV comercializa crianças por audiência. Inocência em baixa. Neverland é louvado por flores. Pedofilia em alta. Estupro e o vaticano coexistem numa mesma frase: Padres consomem crianças em baixo da batina.

O relógio o desperta, nove horas. Sociedade interrupta, robôs que brincam com a humanidade. Porcelanas em cacos retalhados no lixão, pessoas passam fome. Satisfação completa do homem gordo no rodízio, vacas, bois e porcos. Consumidos! Enlatados e fritos! A áfrica não fica muito longe daquela esquina de papelão.

O relógio o faz dormir. O estrume é encoberto por lavanda e o som alto diminuído por cantos de pássaros alpinos. Belas verdades, fator nosso de negação.

3 comentários:

Bonecah de Pano disse...

Você é fera!

Eva Cidrack. disse...

Se eu ganhei um leitor, você ganhou uma fã! Meus parabéns, maravilhoso texto. Obrigada pelos elogios.

Mariá Ortolan disse...

Bom texto, pra variar :D