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terça-feira, 1 de junho de 2010

A Essência De Amar


São luzes apagadas e um cheiro de almíscar transcendendo cada traço da parede do quarto. Os lábios colados e uma respiração ofegante. Olhos de gato no escuro, retinas que se adaptam com a penumbra das velas . No meio disso tudo vem uma vontade da língua consumir a outra. Necessidade de ter pra si em pele: Eros!

O coração palpita depois disso, no fim, realização... Tranqüilidade na densidade de ficar ali junto, colado no escuro a luz de velas. Compartilhando a inércia do silêncio palpitando cada estado de emoção trajado nas personalidades em conjunto. O mundo não existe fora daquele olhar amortecido. E todos os momentos se tornam um, e ali brilha algo mais do que somente o atrito das peles. A troca de palavras de amor... A necessidade de conversar: Storge!

Então a conversa se desenvolve o cenário brilha na luz de velas e a música dita o que o futuro trará como lembrança de um momento. Nada se diz e tudo se cala para as que as duas bocas novamente se encontrem. No pacto das salivas misturando o gosto e o cheiro de almíscar. Tecendo, o que inspiraria poetas na contemplação de vida.

O jogo dos olhares: Ludus

A sensação divina de elevação: Agápe

E o mundo em três segundos desaparecendo numa respiração alta outra vez: Eros!

No dedo direito a veia corre levando o sangue de modo calmo, rápido e explosivo! A artéria que começa no dedo anelar esquerdo terminando no centro que bomba o sangue de modo vital. Faz refaz, pulsa e o significado se prende acariciando quase minimamente o rosto dela. Pressionando as costas dele. Os átomos explodem em sinfonia de amor: Philia!

O coração pulsa. Os dedos se juntam com as mãos entrelaçadas.

Vivendo de amor

Morrendo de amor em cada instante junto com corpo. Físico, emocional, mental e logo espiritual. Marcado na unha, expressado na lábia, batendo rápido e lento: Tum! Tum! Tum!

As definições se exaltam, acaba-se Ludus. Acaba-se Ágape, Philia e Eros. Resta-se apenas calor de estar junto com sono. Suor rápido que escorre se misturando com o lençol. Se misturando com o aroma do amor.

__________
 
Glossário:

Eros- representa a parte consciente do amor que uma pessoa sente por outra. É o amor que se liga de forma mais clara à atração física.

Storge- É o nome da divindade grega da amizade. Por isso, quem tende a ter esse estilo de amor valoriza a confiança mútua, o entrosamento e os projetos compartilhados

Ludus- O amor que é jogado como um jogo; amor brincalhão

Ágape - amor altruísta; espiritual

Philia - Em grego, significa altruísmo, generosidade. A dedicação ao outro vem sempre antes do próprio interesse. Quem pratica esse estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa em abrir mão de certas vontades para a satisfação do ser amado.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Vertente Parisiense


E o frio entrou pelo portão e pelo jardim, remexeu as plantas... Entrou pelas janelas, dizendo que era o fim do verão.
 Meus pés ficaram gelados, minhas pernas tremeram e meus lábios racharam desde então. O café esfriou em cima da mesa, moldando um circulo perfeito sobre uma folha...Já não tenho a mesma idade, já não é a mesma estação.
Mas o frio sempre é o mesmo!
Aqui o clima não é parado, aqui a garoa deixa uma névoa tristonha pela manhã, esfriando na medida que avança pelos bairros. E lá no horizonte ela fica estagnada como uma fumaça alvejada, o hálito branco passando pelas montanhas.
Tem gente que diz que parece Londres, tem gente que apenas pega uma coberta se senta no sofá e assiste uma partida de futebol qualquer reclamando do frio. Tem gente que só reclama, seja o tempo que for, esteja muito frio, ou muito quente.
Atmosfera parisiense pra mim...

Cheio de ruas de paralelepípedos, e cafés de cadeiras altas.
Bilhetes de eu te amo e um amor a moda francesa. A torre Eiffel ao sul e um cigarro Le Gastón nas minhas mãos... De longe uma garotinha come pipoca correndo atrás dos pombos , o ar frio faz com que eu ajeite o cachecol verde, daqueles tricotados a mão que roubei do guarda roupa do meu pai. O garçom substitui a xícara vazia por outra cheia de chá... Agradeço com um “merci “seco. E volto a escrever sobre as linhas do caderno, apago o cigarro no cinzeiro . Sublinho a última a frase e levo um gole de chá até a boca... È de maçã, e falta um pouco de açúcar. Mas não me importo, só quero permanecer quente para desenvolver esse texto até o último parágrafo. A garotinha que corre em circulo tropeça  caindo de cara no chão, os pombos voam e a pequena se levanta com uma pipoca colada na testa e começa a berrar! A mãe logo aparece para socorrer a garotinha dizendo no idioma que mexe com meu interior em cada fragmento. Eu paro de escrever, noto cada palavra que a moça diz para a pequeninha... Cada” Mon petit”, cada, “t'aime, mon amour!” causa algo inexplicável ao meu corpo... Algo que só o frio era capaz de causar!
Já não me prendo ao meu texto, ou ao chá que esfria rapidamente na xícara.

Eu começo a contemplar a velha cidade involuntariamente, a moça beija a testa da garotinha e eu permaneço ali no frio, sentado na cadeira com o mesmo cachecol passado entre o pescoço, no meio da velha Paris. Ouvindo o idioma do romance, mas eu não tenho aliança no dedo. Não tenho palavras doces a ofertar e nem mesmo os versos que escrevi no caderno tem algum sentimento de romance empregado!
O frio me deixa romântico, o frio me leva até Paris, mas no fim não adianta muita coisa, não adianta porque só tenho histórias tristes de taberna suja, passado em folhas de coração partido!

E o que é Paris sem estar do lado de alguém que se ama? O que é Paris sem ninguém para amar?
A cidade perde o gosto, como a vida também fica sem gosto quando se pode dar um buque de flores e não ter nenhum  destinatário!
E o frio continua a entrar pelo jardim, passa por mim, mexe as cortinas e pede um agasalho acolchoado e um copo de chocolate quente... Já me perco nas minhas vertentes, já não tenho mais açúcar. Já não estou mais em Paris... Acho que nunca estive. Acho que nunca amei ninguém, talvez nunca tenha bebido chocolate quente. Ou entregado um buque de flores antes na minha vida. Não! Eu nunca entreguei.
Acho que não acho mais nada. Mais o frio ainda entra pelas cortinas, e me dá esse Q de romanesco.
Paris?

Paris foi um sonho... só um sonho perdido de alguém querendo alguém!
E eu me subscrevo sem querer...

Saudade, espera... Qualquer coisa.
Droga! Também não foi você.

Au revoir chéri.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Something


Tudo começou quando George arrumou uma garota. De olhos claros e traços ruivos. Tudo começou ali, em frente o restaurante de comidas finas, olhando a paisagem urbana, quando George conheceu sua garota.
Talvez estivesse chovendo e ele tenha oferecido um guarda chuva... Talvez ele tenha tirado a camiseta e estirado pra ela atravessar uma poça...
George e sua garota!

Escreveram o nome numa árvore de tronco firme, trocaram bilhetes de paquera... E então ela o deixou... Droga! Ela o deixou Acredita? O cara que tocava guitarras! O cara que aprendeu tocar cítara com os hindus! O cara que escreveu sobre o sol ser bem vindo!!!! Trocado por uma ruiva de nome estranho ,Boyd!
Ela arrasou com o cara, fez ele deixar o bigode daquele jeito escroto.
Ele emagreceu e depois de vários dias chuvosos. Ela partiu o coração dele, cara! Deixou ele sem esperanças nenhuma, então ele abraçou aquela guitarra e depois de mais um dia chuvoso... Depois de ver a filha da puta com um de seus amigos, ele compôs Something!

Sabe? Aquela com solinho de guitarra” a pampa “. I don’t knowww, Idont ‘knoww! (manja?) pam... pam... pam! Pam! (manja?)

Tudo começou quando George conheceu ela.... Droga! Aquela canção só foi escrita por causa disso.
Não que a dor do chifre causou a música... Foi por causa daquela mina que ele compôs em harmonia... Porque ele pegava bem com ela!
Coitado do cara! Depois que a mina trocou ele por aquele cara que também era musico, e pior era o amigo do George, o bagulho ficou deprê depois disso.!
Porque, é só você imaginar... A mina na cama com outro, a mina dizendo que ama o outro. Todos o momentos, a partir de cada segundo a mina dividindo a vida do lado de outro....
O cara pirou né! Usou LSD e chá de cogumelo do Sg pepers.
E ele pensou nela inventando something num dia de chuva!
Eu não culpo o cara tá ligado? Aquela mina era coisa mais bonita pintada no mundo... E quando uma mulher é bonita assim a gente doa a alma, se enfeitiça por cada gesto do rosto!
Daí é quente cara! O amor é algo tão quente que quando vai embora o frio fica... È Tenso! Muito tenso!
O George sofreu cara! Sofreu pra caralho! Sofreu que nem vaca cagando pedra, saca?
Tudo começou quando o George conheceu ela... Sem ela não haveria somthing, meu! Não haveria solinho que lembra chuva. Sem something eu não iria conhecer a minha Patty Boyd...

Sem something estaria tudo certo! Sem something eu poderia parar de fazer silêncio.... Sem Something cara, o mundo seria perfeito e eu não choraria quando os putos do from bar colocassem a música pra rodar na jukebox...
Que porra cara! A vida toda eu vivi sem Something e agora é something em tudo. Puta sacanagem!

E tudo culpa daquela vádia da Boyd... Culpa do corno do George, culpa da mãe dele que começou com esse barato de mina ruiva. Something na puta que pariu, meu!
Tudo começou com aquela vitrola na casa do meu pai e o disco azul do Beatles... Tudo começou quando George conheceu ela, e a mina o deixou. A mina o deixou!!
Tudo começou quando ouvi bossa nova pela primeira vez! Tudo começou a partir daí...

Tudo sempre começa!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Quando um poeta morre...


Eu escrevi este texto enquanto escutava "The Scientist" caso alguém queira ter a mesma perspectiva que eu tive. Deixo aqui a dica, escute "The Scientist" enquanto lêem o texto! http://www.youtube.com/watch?v=tmjPrdTNxQ0 ).
Bom texto!
Cléber.

Segurei sua mão enquanto os teus lábios se mexiam... Eu puxei você até meus braços, enquanto minha pulsação disparava em sentimentos nostálgicos... Acariciei o teu rosto pequeno, me fazendo a mesma pergunta sobre o que é mesmo isso que respiramos como fragrância de viver... Meus lábios ainda borrifavam vinho, meus olhos queriam os teus olhos! E a mesma voz eclodiu na minha mente, enquanto meus tímpanos eram então estourados outra vez!

As palavras me marcaram como fogo, tatuando no meu corpo o coração em cacos que sempre encobri com poesias de acalanto próximo.
Uma frase para perder a vida
—Não posso!

Uma frase para me fazer sentir embaraçado...
—Não posso!

Aquilo percorria todo o silêncio do meu intimo, olhei no espelho e me senti corcunda na torre mais alta. Sozinho e cheio de histórias tristes pra contar! O tom de feiúra me surgiu em reflexo. E então a idéia de ser maldito refletiu na água que saia da torneira... Aquele capitulo de morrer sozinho e sem amor nenhum... Cercado e sozinho, longe de casa de novo! No meio da multidão levando os cacos de uma vida inteira. A face morna se esquenta, é a lagrima de Pierrot outra vez! Ela escorrega sem querer, e agora embaça os meus olhos de vidro!

“Desculpe se achei que aquilo fosse o inicio de um beijo! Desculpe, por não saber mais ser romântico! E por reconhecer em você amor“

Me despeço, mentalmente enquanto entro no ônibus! Minhas palavras ainda estão reprimidas, me sinto como vapor que cessa enquanto a fogueira recebe água fria... Eu sei! E também desconfio que ela também saiba... Algo meu vai ficar ali enraizada nas paginas do livro... Escondido na contra capa que colei com fita adesiva minusculamente como presente de aniversário, amor para ela, amor para nos dois.
Eu não disse nada! Porque o que é dito nunca se cala e permanece numa espécie de receptáculo, apontando diretamente para o que circula em nosso espírito. Quando alma aparenta estar perdida, simplesmente revive gerando expectativa de uma coisa nova cheia de asfalto e montes verdes.
Aos poucos o motor ronca, e a paisagem vai se soltando na janela, ela acena tchau! Eu apenas pisco em sinal de afeição. Meu coração desmorona por alguma coisa que nem eu sei o que é direito. A sina “ônibus-estrada” se repete... O veiculo cruza a ponte, o rio se ajeita... Talvez seja a última vez que vejo o rastro daquele rio, o vento leva uma poeira acastanhada... Castanho igual olhos dela. Escuto aquela voz dizendo: —Que foi? Que foi?
Não agüento mais pensar na estrada, ela me lembra um passado de quase três anos... Algo que me faz ter certa infelicidade na experiência... Abro mais uma pagina de “on the road”. Queria ser como Jack Kerouac, queria atravessar os estados sem ligar para os meus cacos de apego. Isso me falta, não é amor...
Não é a desilusão de um chute! Não são os olhos castanhos de alguém que me apaixonei sem querer! È a vida na estrada, é conhecer vagabundos... E ter o que escrever, é encher a cara de vinho e acordar no Paraná. Sem saber o meu nome ou como era minha vida antes disso... Esquecer dessa alma inútil de Pierrot, esquecer que meu nariz é grande demais e meu cabelo desajustado demais. Ser igual ao Kerouac é: Parar de sentir repulsa do espelho, ou ficar se sentindo culpado por sempre perder alguém. È passar fome por não ter o que comer, é ver a morte de um rapaz que sonha e o parto de um verdadeiro escritor que chega... Que enlaça o seu povo no cromossomo mais intimo! È ter sede de gente... È ter um motivo para não se sentir um desgraçado por ser simplesmente rejeitado! Eu queria ser como Jack! Queria comer tortas no caminho de Denver, tomar whisky num caminhão em movimento na tentativa de se esquentar... Queria ser um Beat!
Eu vejo meu Strawberry Field da janela, meu lugar favorito em todo mundo! Algo que me faz sentir bem, mesmo que ainda a responsabilidade de ser alguém me deixe vazio... Ali eu sinto que sou muito mais. Que ainda sou! Que ainda vou ser aquilo que posso ser... Aquilo que sou.. Eu! Me sinto bem em estar de volta a cidade dos caquis e dos ipês amarelos. A estrada fica pra trás, estou na cidade. De volta ao lar! O bom filho a casa torna! Ou seja lá o que querem dizer com isso!

Olho para moça que está do meu lado, ela dorme um sono que dá vontade de fotografar! O vento traz de volta as cinzas das quatro. Eu ainda estou com aqueles olhos dentro de mim...(vou dormir pensando naqueles olhos!).
Um sorriso me vem na face quando cruzo a passarela. O barulho do trem passando embaixo dos meus pés é assustador! Meio assustado e meio abatido eu ainda consigo soltar um sorriso! Eu sei que isso vem dela, eu sei que to sentindo saudade e na manhã seguinte vou sentir mais... Eu também sei depois de uma noite isso acaba! Termina virando morfina solta na madrugada.... E daí eu não vou sentir mais nada! Não vou ter mais acesso a sentimento nenhum. E isso me causa medo! Porque no fundo eu sei, que cada vez mais algo me força a parar de sentir!
Uma forma nebulosa de máscara negra, realidade de adaptação que vem como anti-gripal para cessar o pesar, para voltar a seguir a rotina. A forma nebulosa ri alto, nunca diz nada,mas eu compreendo o significado... Sem esse "que" de coração, eu seria mais repleto de frieza... Conquistaria mais, e não andaria pensando em nada. Seria um funcionário público, seria um mercador famoso, um bancário orgulhoso e perderia a essência mãe que fui criado!
Quando essa máscara negra me absorver completamente, quando enfim eu parar de sentir! Quando a atmosfera daqueles olhos castanhos sumir... Quando parar de inventar musas e toda gota de afeto desaparecer! Todo sentimento que prezo vai acabar. E sem esse tipo de sentimento não haverá mais folha ou caneta de tinta azul manchando meus dedos... Não haverá crença em mais nada... O homem nasce o poeta morre!

E todo texto é jogado na fogueira, a essência acumulada, o som de violinos a literatura de penas é manchada... Eu não vou saber o quanto de mim restou. Quantas batidas no peito, quantas cartas dedicadas, quantos poesias escritas... Desperdiçadas, como os sentimentos que se findou...
Nasce o homem, morre o desperdiçador!

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Glossário:
Pierrot: Variação francesa do palhaço triste, apaixonado pela Colombina, que inevitavelmente lhe parte o coração e o deixa pelo Arlequim. Uma de suas características é a lágrima no rosto.
Receptáculo: Lugar onde se reúnem coisas provenientes de diferentes origens.
Jack Kerouac: Autor estadunidense do romance On the Road (pé na estrada) responsáveis por uma das maiores revoluções culturais do secu XX. Percussor da geração Beat.
Strawberry Field: “Strawberry Fields Forever” Na verdade é uma canção dos Beatles Composta por John Lennon e creditada a dupla John Lennon-McCartney. A gravação foi realizada no período de 24 de novembro a 22 de dezembro de 1966. Diz a história que Strawberry Field (Campos de morango) era um lugar onde o exército da salvação fazia quermesses em Liverpool onde John Lennon ia quando criança. Esse é ponto filosófico da música Strawberry Field pode ser tanto um lugar,um objeto e até uma pessoa... Onde recorremos quando estamos mal, onde passamos bons momentos e lá nada importa tudo é perfeito!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Toujours

—O que é uma alma?
Pergunta a garota, ingenuamente olhando o teto.
—Acho que é algo que a gente enche de coisas e cobre pra ninguém ver! Algo que faz a gente pintar figuras na folha.
Responde o rapaz com uma expressão de quem sabe muito sobre almas.
—Pensei que alma fosse aquele papel que a gente usa embaixo da folha!
Aguça ela.
—Não! Aquilo se chama, papel que se usa embaixo da folha... Alma é algo muito complexo.
Completa ele.
—Eu acho que eu não tenho uma alma!
—Claro que tem! Todo mundo tem alma, uns tem alma de artista outros de agricultor... Conheci uma garota que tinha alma de vaca!
O silêncio cresce, a garota odeia quando o assunta chega em outras que não seja ela. Depois de algum tempo ele corta o clima:
—Você quer?
—O que?
—Minha alma! Ela só me trouxe problemas até agora, se quiser pode levar...
—O que eu vou fazer com duas almas?
—Eu não sei! Nem sei o que faço com a minha!
—Acho que eu não quero não!
—Então ela vai pro lixo! Ta ocupando muito espaço, sabe? Quase todo o meu ser! Me decidi, vou jogar fora! Afinal ninguém gosta dela mesmo. E eu vou acabar morrendo de febre por escutar a minha alma no pedido por chuva!
—Tudo bem! Eu quero vai!
—Tarde demais, já foi para o lixo.
—Ahhh! Mas eu queria!
Suspira a garota... Suspira porque ela o ama e sente isso na alma. Algo que brota intensamente trazendo a necessidade de falar com ele, algo que ela não consegue expressar. Algo que a faz divagar em pensamentos na aula. Algo que agora ela sabe definir bem!
—Tudo bem! Eu a reciclo é sempre bom reciclar uma alma...
—Se você quiser... Podemos compartilhar a mesma alma!
—Eu...
O rapaz fica calado, e ela o beija... Os olhos dele traduzem o que alma intensifica: amor.

Um País


Eu criei um país para vivermos em paz. Eu e você, você e eu!
Escondido das desilusões, perto de todos os sonhos...

Nosso país não possui distância, nem preconceito, despeito ou ganância. Lá a neblina é alta e a grama verde clara. Tão imensa e acalorada que desbota por toda serra até a costa.
Lá, os habitantes só falecem por desgaste de vida, quando aposentam ou somente quando o sonho se realiza.

Em nossa terra não há haverá limites de população, taxas ou períodos de desilusão amorosa.
Teremos todo um continente para nos amarmos sem interferência de quilômetros, chacinas ou desamparo financeiro. Teremos nossos encantos em meio de cantos e de tantos apegos. Sem guerras, ou finais sozinhos... Criaremos leis de amparo amoroso, abraços coletivos e festas anti solitárias. Para nunca sobrar tempo a melancolia...

País que se localiza bem ali em qualquer lugar, na esquina na rua na beira do mar.
País perfeito este...
Que estará onde você está!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Bel-prazer



Tem dias que eu queria ter alguém a quem pudesse voltar depois de uma semana desgastante de trabalho forçado... Dias em que eu queria receber um sorriso que pudesse iluminar uma noite.

Sim! Eu queria poder dizer eu te amo deitar em céus azulados e bem aventurar em meio de cabelos longos, olhar mediante de quem espera por você. Quisera eu que alguém pudesse me esperar e me acalantasse no seio. Dançando valsa por toda imensidão clara. Desses bem claros, mãos atadas, lábios correspondidos.... Musa para sonhar. Alguém que pudesse fazer de lua. Que aceitasse o titulo de amada. Quem eu colocaria no pedestal de meu sentimento mais profundo na benção de qualquer fada.

Assim não teria que cantarolar músicas tristes olhando o vidro sujo de um ônibus de última passagem. Não enxergaria casais fatigados por romances, escravizados pelo tempo sendo apenas fruto de bagagem que se deve levar.

Quisera eu poder estocar-me outra vez de amor vivo, latente, transcendente de toda matéria rosa flor.


Quisera eu não ouvir a vulgarização da palavra amor, uso indefinidos de tantos bom dias confundidos com eu te amo, meu amor! Eu queria não ver alianças cor de prata sem significado algum, fincado nos dedos alheios empobrecidos de valor sentimental.

Quisera eu ainda poder acreditar num sentido tão sonhador.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ocasionalmente perto... Propriamente juntos!


Seu nome era de pão francês, desses que vendem frescos na padaria. Possuía cabelos negros e um conceito meio de algodão doce em dia de parque. Seu sobrenome era de profeta judaico, sol nascente de algum lugar afastado. Portador da espada de chamas do Monte Carmelo.

Ele curtia a Kiss FM, gostava de uma Anna e andava pensando no último fim de semana.

Todo dia na mesma sina ele bocejava com seu último nome de poeta português. Escritor de cartas. Três siglas que o denominavam na chamada do médico.

Ele perdera a carteira em cima de um banco. Lamentou o encanto e sempre fora assim, leso demais com esses objetos sem sentido.

Ele ouvia Pink floyd, pois sentia esperança. Tinha paladar aguçado e gostava de misturar canela em algum ensopado. Trazia consigo uma semente no bolso, lembrança daquela primavera que gritava cigarras nos troncos de pau Brasil. Ele se sentia feliz com coisas bobas e triste com coisas difíceis.

Ele andava na rua quando encontrou Ela. Ele ficou abismado, Ela nem notou que Ele existia.

Ela tinha tatuagem de fada, usava óculos escuros e gostava de anarquia. Tinha sobrenome de princesa e dançava Flamenco na Padaria. Tinha pernas robustas e prezava pela vida das árvores. Gostava de pedra Letícia e daquela música triste do Caetano. Ela tinha o coração partido por um tal de João. Ela tinha nome Italiano de beleza iminente. Gostava da essência das rosas e de sereno em manhã fria. Ela gostava de ser beijada no pescoço e de massagens imprevistas na palma da mão. Tinha o último nome de planta antiga.

Ela poderia ter amado Ele, Ele poderia ter gostado dela.
Mas apenas se cruzaram no meio da rua.

Ocasionalmente perto, propriamente juntos. Só precisavam de um bom dia. Ou quem sabe um abraço...

Ele e Ela. Ela e Ele. Fatidicamente desconhecidos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Importa?


Não importa que eu tenha que rodar o planeta todo. Não importa que eu tenha que perder minha lucidez. Que eu fale com os cães. Que eu deseje pular da torre mais alta de cabeça pra baixo.
Não importa que o amor seja um suicídio psicológico. Que eu tenha que entregar bilhetes de correio elegante numa festa Junina.

Não importa que eu fique louco de paixão, olhando as estrelas. Difamando Afrodite, sendo mal criado na porta da estação. Não importa!

Que eu seja chamado de alucinado, incoerente... Sórdido, romântico maltrapilho!
Estranhamente, Não importa!
Que todas as minhas ex mulheres sejam alcoólatras assumidas, maquiavélicas consumidas, viúvas ou homicidas de sentimentos sinceros.
Pouco me importa!

Que eu perca todos os meus talões de cheques buscando passagens para o novo México. Que ande até o ponto mais elevado das colinas dos Andes.
Que eu fique ébrio de solidão. Fatiado de paixão e consequentemente descrente de todo o amor que há no mundo.

Eu vou achar você!
Nem que eu tenha que girar o mundo todo. Nem que eu tenha que atirar nos semideuses. Desbravar a Antártida e ser morto por um desses pingüins bastardos.
Não me importa: se for Eros, Pragma, Philia, Storge, Agape ou simplesmnte amar fazendo amor.

Vou te encontrar em algum lugar! Em riba, na lagoa! Na fila da pipoca ou olhando a mãe da água dentro duma garrafa de ypoca.


Ah! Se eu não vou Vou te encontrar!

Não importa o que há para se encontrar, eu vou mudar o mundo todo... Viajar dimensões! Acabar com esse tempo!Ser imperador dos sete céus!

Até se eu tiver que vender a minha alma para o pecado, eu vendo!

Afinal, isso não importa! Se for pra te encontrar dez segundos, nem que eu tenha que virar astronauta. A gente se encontra e fica feliz...Assim por toda vida!
Importando somente com que há pra se importar. Nós dois!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Em sentimento há sentimento!



Uma vez alguém me perguntou sobre sentimento...

Essa coisa desvairada que toca gente como eu. Gente assim tão amiga do papel, gente que não aguenta uma batida forte no peito, que enaltece com o brilho nos olhos... Gente como eu, tão distante disso que dizem ser afeto...

Oh! Essa afeição que me afeta tão gravemente, que me faz sentir frio e abraçar o próprio corpo. Afeição que não deixa também de ser nome próprio de sentimento.
Tem gente que chama sentimento de merda, tem gente que o apelida de felicidade. E daí se esquece que sentimento vem e vai, vai e vem e o denomina de tristeza...

Sentimento na verdade é definição, ainda mais quando se ama... Articular amor é articular sentimento, tanto é que a maioria só se lembra do que sente quando ama. E quando se ama a gente esquece do bendito sentimento. Na verdade inverte sentimento por nome próprio, e depois de um tempo o nome vira sinônimo de amor e o amor acaba no fim voltando a ser sinônimo de nome...

È eu sei, é complicado esse negocio de sentimento. Complicado porque não se racionaliza e quando não se racionaliza a gente sente. Sentimento é isso, globo ocular em outro lugar e coração no meio da boca...

Sentimento a gente acaba explicando demais e compreendendo de menos.
Por fim sentimento não se esclarece, não se apostila... Acaba acontecendo. Quem tem sentimento sente.

Sentimento é isso e isso é sentimento.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Analogia do amor e as amoras"




O modo acirrado que o som toma forma na sala. Invadindo todos os cômodos preenchendo essa rotina débil das tentativas dos escritos. Som que na verdade é música, dessas baixadas em outros dias, mas que nesse em especial se adapta perfeitamente com a pena que desliza no papel em branco. Meus dedos sangram nanquim, uma sangria desvairada que penetra linhas retas, curvas tortas e palavras mencionadas sorrateiramente também preenchidas pelo o mesmo som. Desenhos que retratam um modelo meio que imparcial de mim. Como é difícil escrever cartas quando o motivo principal não é amor.

Antes versos fáceis compostos sem mediação, desenvolvidos no calor da alma. Desencadeados por intensidade real. Falar de amor hoje é como falar de amoras, por mais doces que sejam não duram mais que uma estação. Amoras? Certas vezes são doces quando estão maduras, outras azedas quando não estão na hora. As maiores sempre ficam em cima, fixas no galho mais alto. Inalcançadas para uns, bem perto para aqueles que dispõem escadas. Não importa, amoras essas que são tão iguais: Doces e pequenas, grandes e saborosas. Sempre partem deixando o gosto da primavera, deixando a língua pigmentada. Manchando os lábios e as mãos numa cor vermelha , ou num roxo impermeável.



Incessante gosto das amoras... Incessante gosto do amor.

Para mim o amor e uma amora são conjuntos. Presos na mesma estação, dividindo o mesmo paradoxo do sabor amargo, doce ou azedo. Quem precisa de amor? Quem precisa de amoras? Se não as frases contidas naquela carta abandonada em cima da mesa. Pobres versos adoeceram na busca de uma musa. Intocados pelo som, os únicos que permanecem ali em silêncio... Numa última linha sem destinatário.


Constando que não há amor sem amoras ou uma amora sem amor.

sábado, 11 de outubro de 2008

O Pierrot que não se tornou Arlequim


Colombina:

Olha-me assim, Pierrot...
Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso. Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço, à luz do teu olhar, tenho ânsias de dormir, para poder sonhar!Os teus olhos dardejam! São dois lábios de luz que as pupilas me beijam...
São dois lagos azuis à luz clara do luar...

São dois raios de sol prestes a agonizar...

Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade de poluir com esse olhar a minha mocidade aberta para ti como uma grande flor, meu amor...meu amor...meu amor não pode ser seu, e sim do Arlequim...não chores meu doce Pierrot!"


Às vezes sem escolha nascemos assim, berço de carnaval. Rosto pintando em cores numa lágrima que desliza a sós. Da face até os joelhos, provando que sua ingenuidade foi abolida.
Sem escolhas o nomeiam de "Pierrot". Fixam teus olhos numa máscara presa neste baile de hipocrisia, e assim sem querer te deparas com aquele velho espelho e vês teu rosto coberto de silêncio.
"Onde foi parar todo aquele amor?".
Tentas empregar resposta a pergunta, mas os ecos não são tão fortes para que te faças ouvir.
Eis um Pierrot e nada mais, encarnação de todo esse amor ingênuo. Reverenciado por ser semblante de um amor puro e enteralado. Sozinho, igual à lágrima que guarda a sois em teu rosto.
Sabes que toda essa pureza que guardavas com precaução fora perdida naquela ultima troca de pares. Sabes que o fim está próximo, e seu amor renegado causara a sequela de toda uma existência. E de tua roupa cinza, agora haverá tons verdes , azuis e amarelo. E de teu rosto pálido, agora haverá um tom vivo conjurando sombras vermelhas.
E de Pierrot apaixonado a findar, Arlequim iras se transformar.

Então de todo aquele amor, sobrarás apenas as apostas de galanteios baratos... Das conquistas antes tão sentimentais usaras teu verso para consagrar a glória, somente da ida até a cama.
Tomarás a sobra de todos os sonhos, de todos aqueles seios descobertos. Nos bailes depois de enjoar de todas as damas e messalinas, irá atrás cobiçar o véu de cada Colombina. E quando conseguir a façanha da face. Somente os cacos irão fazer você notar... Que como Arlequim acharás teu coração! Quando outrora era Pierrot e este foste de ti roubado.
Mas tome cuidado Arlequim! Pois se te fizeres pensar... Desta máscara vai-te abendicar... Quando topares com lágrimas de colombinas a brilhar! Assim tão vil, lembrarás que naquele carnaval o final consagrou. Não só teu lindo choro, mas a velha alma que o chamou de palhaço nobre fracassado.
Pois neste ponto tu serás o unico, pois em coragem arrancará o coração, para voltar co mesmo prélúdio taciturno...Oh! Assim outra vez Pierrot.
Sentiras solidão outra vez. E Terás novamente a mesma dor de toda aquela ilusão. Por saber amar demais...
Serás Pierrot novamente por não conseguir retirar os sonhos de Colombinas que irão segurar a tua mão. Serás isso então, um maldito fadado pela a eternidade a perder sempre sua musa.
Tú meu Pierrot tristonho que renegas em ser Alerquim por não conseguir desmontar os sonhos dos corações como fizeram aos teus...
Não chores ainda! Ao invés disso....Dorme-te Pierrot abandonado! Dorme-te Que irás ter uma colombina que entendas teu choro consagrado. Que te faças esquecer toda essa dor. E que não te desfaça como peça inacabada, dorme-te meu Pierrot e sonhe com as mais belas esperanças.
Pois todo carnaval terá este mesmo final.