segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sobre placas e cores.

No chão sinto o asfalto morno, escuro e ausente de cor.
Cor que se destaca de meus cadarços amarelos, entrelaçando meu pé, aguçando a vontade de correr sem olhar para trás. Minhas linhas ficam desnorteadas com peso das vidas que me cercam. Como citar todos e mesmo assim não conseguir citar ninguém.
Desconhecidos e conhecidos passam por mim, acho que os vi no natal... Ou foi ontem? Não me lembro de muita coisa se não de minhas dores e pesares, tinha que ser vinte? Talvez doze ou até onze, mas vinte é sem razão. Muito tempo para quem ruma sem destino, para aqueles que resguardam o infinito nos minutos. Deduzo meu tempo enquanto ando olhando o tom azul no fundo das placas. Aquelas situadas no começo das avenidas, placas que nomeiam as ruas onde o meu destino é atraído.

Vejo cada nome estranho.

A esquerda um “Deodato Werteimer”, e logo no cruzamento um “Barão de Jaceguai”.

A maioria se esquece do costume de nomear uma rua, essa crença ligada à lembrança existe desde a antiguidade quando os índios contavam histórias daqueles que partiam. Citavam grandes feitos, e o nome do privilegiado por assim dizer era imortalizado em torno da fogueira através dos contos.

Somente os grandes viravam história para inspirar os menores.

Hoje temos essa glorificação em meio das placas azuis, desprezadas pelos olhos da população, vidas que marcaram diversas pessoas, desconhecidos que viraram sinônimo de alamedas ou travessas. Lembrados somente quando pedimos pizza ou quando as cartas acumulam em cima da mesa. Acredite o nome que retrata sua rua foi uma pessoa, existiu teve medo e fecundou de forma tão majestosa a vida que acabou virando uma placa.

Certas coisas em nossa existência são assim, quando humanos viramos placas e de placas viramos rua.

E assim exatamente quando penso na ausência de cor daquela mesma rua, penso no nome em questão. Imagino quanta história está gravada naquele piche incolor e vejo milhões e possibilidades dando vida através de um nome, de um feito...
De uma alma que aos poucos se torna cheia de cores. E torna-se bem mais que um simples nome, bem mais que uma rua qualquer.

Torna-se parte de mim. Vida.

2 comentários:

Gabriele Fidalgo disse...

'quando humanos viramos placas e de placas viramos rua.'

duas décadas significam também novos caminhos,que significam novas ruas, novas avenidas e, por fim, novas placas pela estrada.

gostei! :*

felipe anjos disse...

um blog sem igual vc sabe do potencia que temos ...e ass coisas em comum pra escreve ...
muito bom...