quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Crônicas De Mim Mesmo: Antes das duas e meia


São quase duas e meia da manhã, posso dizer que os dias são iguais! Mesmo tendo nomes comuns não vejo diferença nas segundas ou nas terças feiras... Ambas passam com a mesma cota de tempo exato.
São de fluxos iguais, estabelecidas de manhãs, tardes, e longas noites. As quartas são apagadas, refletem as terças, que não são nada originais! Nas quintas eu canto, às vezes um pouco de "Fouré" emendando com "Tom Jobim". Sextas são de um complexo terrível, de uma realidade estranha... Lembram-me dos sábados que antes aguardados com tanta expectativa, hoje são vividos com o desdém de dias comuns! Às vezes eu me canso dessa intensidade que é viver no auge de cada sentimento como se não restasse nenhum, porém!
A felicidade é imensa nas vozes, imitadas nas piadas sem razão. Humor para não morrer mais cedo eu acho.
Drummond dizia naquele velho verso que tudo pode acabar menos o humor. Só que às vezes, ou melhor, na maioria de todas elas... O humor é uma arma insensata presa na máscara social da falsidade involuntária! Os risos de fuga, a euforia transbordante, os pulos e gritos quando a luz acaba numa sala de cinema.
Usurpados quando a porta do quarto se fecha, daí dizemos: “Bem vinda Solidão, evitei você por tanto tempo e ainda assim, se lembra de mim?”. O barulho do nosso coração acelera e somos tragados de novo ao estado de silêncio.
Não importa quantas velas de aniversário são acesas a festa acaba no dia seguinte! È uma questão de tempo para que tudo volte aos dias normais.
Quintas, sextas, sábados, semanas.... Meses e eu estou aqui digitando pedaços do que sinto pesar!
Penso que escrever é certas vezes nos despir de nos mesmos, deixar enraizado o que sentimos. Medos, traumas, danos e amores perdidos. Não importa o tema, é sempre uma amostra que permanece latente nas profundezas de todas as sinceridades do que tentamos esconder!
È algo pulsante e inevitável, afundado nas entranhas do mar morto. Além de toda consciência expondo o nosso coração.
Digo que é uma forma de apostar na compreensão alheia, de entregar textos a deriva dos olhos de um estranho. Oferecendo traços de seu plano mais íntimo.
É como abrir a porta e deixar a vizinhança entrar. O primeiro choque vem com a situação da mobilha. De todos aqueles moveis desgastados e almofadas esburacadas. Depois o embate com as cores da parede, sem tom ou combinação misturando laranja com verde claro.
Simplesmente é assim invadem todos os cômodos de sua casa, pedem para morar com você, roubam-lhe os quadros. Quebram sua louça, sujam o seu salão. Expiando sua escrita ao ponto de absorver tua alma!
Escrever pra mim é necessidade que pulsa. Necessidade de mostrar que existe "algo mais" por trás desse garoto de boina preta que vos redige a palavra. Sei que essas linhas aqui preenchidas, são as mesmas que traçam a palma de minha mão. Algo cheio de silêncio enquanto, minha alma admira o luar.
È o que penso quando estou aqui beirando a madrugada, com os dedos latejantes de tanto digitar. Revelando meus desesperos em contos de três partes, com algumas poesias sem rima... Para que alguém além de mim possa cogitar nessas palavras o antídoto que espero tanto encontrar! Talvez essa cura esteja mais perto do que eu possa imaginar... Além de todas essas fotos, além de toda essa madrugada angustiante.
Talvez esteja nos olhos de ti, leitor(a) que neste teu leito invade meu leito, de maneira sublime e inesperada. Propondo estes ombros virtuais para que eu possa dizer o que faço nessas duas horas e meia que madrugam minha mente.
Estás folhas que de folhas só sobram a idéia, responsáveis por meus dias terem cores e estimas de um novo “viver”.
È desta cura vos digo ter um novo dilema para se escrever. Moldar e juntar num grito que enquanto tiver forças se findará além das duas e meia de um relógio velho. Além de um coração que invade. Além das três... Ora! Já são quatro!

4 comentários:

LeLe Walker disse...

é percebe que vc gosta muito de escrever prefere o lápis ou a caneta?

Cintia disse...

Você evoluiu muito.
Acho que o maior sucesso de um autor, é escrever sem ser ficção ou clichê, e conseguir atingir a todos os níveis pessoais, capitalistas que um dia tiveram coração, ou aqueles que ainda o mantém, mesmo que destruídos.

=)

Karen disse...

[i]muittoooo bom....


quem sera que vai te dar o antidoto q vc tanto cogita???


apenas os olhos de cristal mostrara a vc...=p


adoro seus textos q por mtas vezes sao incompreendidos por essa que vos escreve...

parabens!!!

Gabriele Fidalgo disse...

Nesse texto você não escreve apenas, mas abre uma janela.