domingo, 26 de outubro de 2008

Sobre casas e velhos. (Curas e venenos)


Todos dias que cruzo o centro da cidade vejo aquela velha casa. O céu pode estar claro, ou o dia pode estar chuvoso, sempre encontro um modo de cruzar meu caminho com a estranha moradia. Ela está em todos os jornais, destaque por sua arquitetura requintada com portões ingleses e janelas bem adequadas do sul da frança. È um monumento do passado assim como o seu dono. Um senhor de cabelos grisalhos que recostava sobe o jardim todas as quintas feiras tirando novas ervas daninhas que teimavam em obscurecer a vista de suas roseiras.
Quando pequeno eu acreditava nas fábulas vindas das conversas cruzadas. Diziam sobre vampiros e um homem que velava o corpo da falecida esposa. Lendas urbanas criadas pela imaginação das crianças mogianas. Mesmo que as histórias sobre o velho fossem absurdas eram culpadas por me tirarem o sono de noite. Isso durou até os dez anos, depois aos treze eu mesmo criava lendas para tirar o sono dos outros. Quando me tornei mais velho, tive meu primeiro contato com o senhor dos pesadelos antigos. As roseiras estavam mais desgastadas, e a grama morria por falta de cuidado. O velhinho estava doente seus anos já pesavam acima de cinqüenta. Quando cruzei a calçada e percebi de súbito que o velho estava fora da casa soube que não deveria perder aquela oportunidade. Cheguei em frente ao portão e logo cumprimentei o velho:
—Bom dia senhor!
O velho nada demonstrava e continuou irrigando as roseiras. Mesmo afoitado eu tentei de novo:
—Com licença Senhor, eu sou da área de turismo aqui da cidade. Gostaria de tirar um foto da casa. E se pudesse me contar um pouco da historia eu ficaria imensamente...
—Nada de fotos
Gritou o velho, quando eu sequer havia acabado a pergunta.
—È eu que gostaria de mostrar essa casa para...
—Eu disse nada de fotos!
Cortou pela ultima vez o velho.
Depois da ultima resposta em tom grosseiro, eu já havia perdido todo interesse sobre a casa. Sobre as histórias da infância, mas a partir dali me perguntei o que acontecia com aquele senhor... Por que ele tinha tanta amargura de vida? Sempre quis saber o que deixam as pessoas amarguradas? Se está causa pode ser devido aos relacionamentos de vida que não deram certo, pois dizem que um coração despedaçado é incurável. Ou pela forma que somos criados, uma mãe desatenta, ou um pai agressivo. Existem complexos que transformam personalidades únicas em pedaços de fúria induzida. Às vezes é o fato de um coração bom se chocar com a hipocrisia do mundo. Existe tantas formas de se manchar a alma alheia, que não posso culpar aquele velho por ter sido tão rude. Não posso culpar, pois acontece comigo também. Há períodos que o veneno da vida é tão grande que disparamos em quem chegar perto, mas no fundo isso não passa de um instinto de proteção.
Casca de impacto, amortecendo o dano penoso. O problema é quando este mal absorve tudo o que a pessoa possui. Daí vem à solidão, o que é cheio fica mais cheio ainda. Cheio de ausência cercada por você mesmo . Sinceramente, acho que isso é automático, ou você nasce escorpião ou é afetado por seu veneno. A diferença está em que procura o contraveneno. Penso que esse antídoto é como o ciclo social, assim como existem pessoas capazes de causar o envenenamento (alguns involuntariamente e outros nem tanto). Assim também existem aquelas que podem cessar processo ou até curar definitivamente.
Pois todos somos adeptos dessa ulcera, mas temos aspirinas no bolso da camisa. Basta saber dosar.

Um comentário:

Karen disse...

[i]Hmm...muito bom esse texto...!!
apesar d ter errinhos e começar sobre um fato e terminar um pko fora do assunto..=p

mas vc sabe q eu te amo ne!?=p

PS¹:finalmente criei vergonha na cara e postei comentarios XD